A menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026, a crise político-institucional tem desviado a atenção das propostas de campanha e dos problemas estruturais do Brasil, conforme apontam entidades da sociedade civil.
A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, afirmou que “o debate eleitoral está prejudicado porque, no primeiro plano, as atenções estão todas voltadas para os reflexos da atual crise institucional do Poder Judiciário”.
Francilene Garcia, presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), destacou que a agenda pré-eleitoral está dominada por temas não escolhidos pela sociedade, que deveriam ser discutidos juntamente com propostas de mudanças estruturais.
Os entrevistados também ressaltaram a gravidade das investigações relacionadas à Operação Compliance Zero e defenderam a apuração das suspeitas de envolvimento de autoridades, sem que isso ofusque o debate sobre as propostas dos candidatos.
Rita Serrano, presidenta do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), apontou que as prioridades da classe trabalhadora incluem o fim da escala 6×1 e a regulamentação da negociação coletiva no setor público, temas que estão sendo ofuscados pela crise atual.
Além disso, a questão das mudanças climáticas foi mencionada como uma preocupação central que não está sendo adequadamente abordada pelos candidatos, segundo Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima.
O coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Alcebias Constantino, destacou a importância da representação indígena nas eleições e a necessidade de garantir direitos territoriais, mesmo em meio à instabilidade gerada pela crise institucional.