O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira (24), a ampliação do serviço de teleatendimento em saúde mental para mulheres em situação de violência e mães atípicas. A iniciativa, que começa com 100 mil atendimentos mensais, também atende outras cuidadoras de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras. O acesso é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a medida amplia o acesso ao cuidado de forma segura e adaptada à realidade dessas mulheres. “A proposta é oferecer o teleatendimento diretamente à população como uma primeira forma de acolhimento e de início do plano terapêutico. Depois, esse cuidado será articulado com a rede local, nos estados e municípios. Onde essa rede ainda não estiver disponível, o Ministério da Saúde continuará oferecendo o atendimento remoto”, afirmou.
O projeto-piloto, iniciado em março deste ano em Recife (PE) e Rio de Janeiro (RJ), agora está disponível em todo o país. Para acessar, a usuária deve entrar no aplicativo Meu SUS Digital com a conta gov.br, clicar em “Miniapps” e selecionar “Acolhe Mais + – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”. Em até 24 horas, a equipe entrará em contato para agendar a consulta.
Cada mulher pode realizar até 10 sessões de teleatendimento, com possibilidade de renovação. Ao final, pode ser encaminhada para a continuidade do cuidado em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou outro serviço da rede. O atendimento ocorre de segunda a sexta, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h, com psicólogas mulheres capacitadas para escuta sensível em ambiente virtual.
Em situações de risco imediato, a usuária é orientada a buscar emergência pelo Samu ou Polícia Militar (190). Para casos graves sem necessidade de intervenção emergencial, profissionais farão os encaminhamentos adequados. A iniciativa considera que 75% do trabalho de cuidado não remunerado no mundo é realizado por mulheres, segundo a OIT, e busca reduzir barreiras como distância e falta de tempo.
Thelma Mello, representante da Central de Movimentos Populares, ressaltou a importância da ação: “Essa iniciativa vai dar esperança a muitas mulheres, especialmente às mães atípicas, que muitas vezes enfrentam a sobrecarga do cuidado sem apoio psicológico ou uma rede com a qual possam contar. Ter um profissional de psicologia a um toque de distância, com privacidade, pode salvar a vida dessas mulheres e de seus filhos”.
