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sábado, 31 de outubro de 2026
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Inventário Cultural Preserva Memória de Bairros Atingidos em Maceió

Inventário Cultural Preserva Memória de Bairros Atingidos em Maceió
Inventário Cultural Preserva Memória de Bairros Atingidos em Maceió
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A memória cultural, os saberes e as tradições das comunidades dos bairros em subsidência, atingidos pela mineração de sal-gema, realizada pela Braskem, agora, fazem parte do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial (IPCI Maceió). Esse é um trabalho construído de forma participativa, a partir das referências culturais e das memórias de moradores, ex-moradores, fazedores de cultura, mestres, grupos e organizações que moravam em Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro. E tudo está disponível gratuitamente através do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), uma plataforma do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O lançamento oficial do Inventário, na quarta-feira (8), no Museu Théo Brandão, reuniu mestres da cultura popular, agentes culturais, membros do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPE-AL), comunidade da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), antigos moradores dos bairros em subsidência, além de parceiros e apoiadores do projeto. Todos puderam conhecer como as informações estão organizadas e disponibilizadas para consulta pública a quem tiver interesse, principalmente moradores, pesquisadores e gestores.

Resultado do Termo de Acordo Socioambiental entre a Braskem, responsável pela subsidência dos bairros, e o MPF, com a participação do MPE e a adesão do Município de Maceió, o IPCI integra as ações previstas nesse documento, que estabelece medidas de reparação pelos danos causados, incluindo àqueles que afetaram diretamente a vida social e cultural das comunidades atingidas.

A Ufal é a instituição responsável pela elaboração do IPCI Maceió, por intermédio da equipe técnica executora, formada pelas professoras Adriana Guimarães Duarte e Josemary Omena Passos Ferrare, Airton de Souza Melo, Álvaro dos Santos, Clair da Cunha Moura Junior, Juliana Nicolle Rebelo Barretto e Nadja Waleska Silva Rocha, com participação e realização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes).

De acordo com Clair Junior e Nadja Rocha, que apresentaram os dados que compõem o IPCI Maceió, a plataforma reúne referências culturais, territórios, pessoas, lugares e registros que ajudam a compreender os impactos do deslocamento das pessoas e a continuidade das práticas culturais. No inventário, estão reunidas informações organizadas a partir de cadernos técnicos, relatórios, cartografias sociais, listas de lugares, entrevistas e registros produzidos no âmbito do IPCI Maceió. É uma riqueza de detalhes com cinco territórios catalogados, 453 lugares de referência, 75 bens culturais e 330 detentores e fazedores de cultura.

A noite festiva no Museu Théo Brandão marcou a celebração pela conquista de poder entregar o inventário para toda sociedade alagoana. Autoridades e pesquisadores integraram a frente de honra do evento e destacaram a importância da proteção, da continuidade e do fortalecimento do patrimônio cultural imaterial. São eles: reitor da Ufal, Josealdo Tonholo; procuradora-chefe do MPF, Roberta Bonfim; procuradora do MPF, Juliana Câmara; procurador do MPE, Jorge Dória; secretário de Cultura de Maceió, Alan Balbino; professora Josemary Ferrare; e a representante dos agentes culturais, Sara Oliveira.

Para Tonholo, a entrega do inventário é resultado da união e forças para salvaguardar a memória cultural dos bairros em subsidência. “Foi um momento muito especial para a Universidade Federal de Alagoas. Recebemos a sociedade alagoana para apresentar o IPCI. Esse estudo foi feito pela nossa equipe, pelas professoras do curso de Arquitetura, que coordenam do projeto, Adriana Guimarães e Josy Ferrare, além de antropólogos, historiadores, geógrafos e cientistas sociais. Temos a oportunidade de conhecer as manifestações culturais que aconteciam regularmente na região impactada pela subsidência da extração de sal-gema. Agora temos o registro, o resgate e a representação do patrimônio guardados no site do Iphan”, destacou.

Na opinião da vice-reitora da Ufal, Eliane Cavalcanti, esse inventário atuou para fazer o levantamento do conhecimento dos fazedores de cultura e que, agora, está disponível para toda sociedade alagoana. “Está tudo registrado e a memória está protegida. Agora é um patrimônio cultural imaterial”, declarou.

“O IPCI é um símbolo do compromisso de preservação da cultura. É um fim, mas é também um recomeço”, disse em sua fala a procuradora-chefe Roberta Bonfim. Ela também destacou que o inventário participativo é resultado de uma batalha enfrentada pela força-tarefa do MPF: “Lutamos muito para termos a nossa memória e a nossa cultura preservadas. Nossa luta foi para que as futuras gerações também possam ter acesso e conheçam toda a riqueza cultural que existe na cidade de Maceió. Apresentar esse resultado, em conjunto com a Universidade Federal de Alagoas, é, realmente, um momento de grande alegria para todos nós que fazemos o Ministério Público Federal”.

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