O Brasil alcançou a menor taxa de casos de malária em quase 50 anos, com uma redução significativa nos registros e mortes pela doença, impulsionada pela introdução da tafenoquina no Sistema Único de Saúde (SUS). Mais de 33 mil pessoas já foram tratadas com o medicamento, que começou a ser oferecido em 2024.
Em 2025, o país observou uma diminuição de 30% nas mortes por malária, com 39 óbitos registrados, e uma queda de 15% nos casos, totalizando 118.037 infecções, o menor número desde 1978. Os dados foram anunciados pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, em Brasília.
A tafenoquina, que é administrada em dose única, foi incorporada ao SUS em 2023 para pacientes a partir de 16 anos e com peso mínimo de 35 quilos. O medicamento atua de forma prolongada, prevenindo novas manifestações da doença, e já beneficiou 3.920 pessoas em Distritos Sanitários Especiais Indígenas.
Além disso, desde março de 2026, a tafenoquina também está disponível para crianças a partir de 2 anos. Até junho, 1.446 crianças e adolescentes receberam o tratamento. No DSEI Yanomami, 1.515 pessoas foram tratadas, resultando em uma redução de 61,9% nas recaídas de malária em comparação ao ano anterior.
O SUS, ao oferecer a tafenoquina, visa simplificar o tratamento e aumentar a adesão, especialmente em comunidades de difícil acesso. Atualmente, a formulação pediátrica está disponível em 54 municípios e 17 DSEIs, com mais de 2,4 mil profissionais de saúde capacitados para seu uso.
A iniciativa Brasil Saudável, coordenada pelo Ministério da Saúde, busca eliminar ou reduzir 11 doenças e cinco infecções de transmissão vertical até 2030, incluindo a malária. O programa já obteve certificações importantes, como a eliminação da filariose linfática e da transmissão vertical do HIV.
