O Banco Central divulgou nesta terça-feira (11) a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na qual foi decidido reduzir a taxa básica de juros (Selic) para 14% ao ano. O documento indica que a decisão ocorreu em um cenário de desaceleração da inflação, mas ainda com incertezas significativas.
Segundo a ata, as expectativas inflacionárias permanecem elevadas, e o comitê considera que a redução da Selic é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta. A medida também visa atenuar oscilações da atividade econômica e favorecer o pleno emprego.
Apesar do corte, o Copom ressalta que o cenário exige prudência, pois a inflação continua pressionada pela demanda. Por isso, os juros devem permanecer em nível restritivo. No cenário de referência, a taxa de câmbio considerada é de R$ 5,10 por dólar, com projeções do Boletim Focus.
O documento aponta que a inflação ao consumidor desacelerou nas leituras recentes, mas segue acima do limite superior da meta. Já os preços ao produtor recuaram, influenciados principalmente pela indústria extrativa. O comitê alerta que o crescimento do crédito direcionado e as incertezas sobre a dívida pública podem pressionar as taxas de juros.
No cenário internacional, as incertezas permanecem elevadas, com destaque para os conflitos no Oriente Médio e a política monetária das economias avançadas. A ata menciona ainda a volatilidade nos preços de ativos e commodities, exigindo cautela dos países emergentes.
Internamente, o Copom observa sinais de moderação gradual da atividade econômica, com o mercado de trabalho ainda aquecido, mas com desaceleração no crescimento da ocupação. Os rendimentos médios dos trabalhadores perdem força, embora ainda cresçam em termos reais acima da produtividade.