Em meio à campanha Agosto Lilás, que neste ano celebra os 20 anos da Lei Maria da Penha, hospitais universitários de todo o país reforçam o acolhimento e o acesso a direitos para mulheres vítimas de violência. Especialistas da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (HU Brasil) orientam sobre os canais de atendimento e os direitos garantidos por lei.
O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG) oferece o Serviço de Atenção Integral à Pessoa em Situação de Violência Sexual, com atendimento gratuito e sem necessidade de agendamento. A coordenadora do serviço, Natália Dantas, explica que a procura rápida é essencial: “Em até 72 horas conseguimos fazer a profilaxia de ISTs; em até cinco dias, a profilaxia da gravidez; e, em até dez dias, a coleta de vestígios”. O acompanhamento dura pelo menos seis meses, devido ao risco de transtorno de estresse pós-traumático.
Para outros tipos de violência, o HC-UFMG conta com o programa “Para Elas, Por Elas, Por Eles, Por Nós”, que oferece atendimento médico e multiprofissional, rodas de conversa e oficinas de geração de renda. A coordenadora Marilia Malaguth ressalta que muitas mulheres demoram a reconhecer a violência sofrida, pois vivenciam um ciclo que alterna tensão, explosão e arrependimento do agressor. “Ao falar, a mulher também se escuta. Quando consegue contar sua história em um ambiente acolhedor, ela passa a olhar para essa experiência de outra forma”, afirma.
Outros hospitais da rede, como o Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr. (HU-Furg) e o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), também oferecem atendimento integrado. A chefe da Unidade da Saúde da Mulher do HU-Furg, Tânia Vieira da Fonseca, destaca que o cuidado multiprofissional evita a revitimização, reduzindo a necessidade de repetir o relato da violência.
A assistente social do Humap, Patrícia Ferreira da Silva, lista os direitos das vítimas: atendimento médico de emergência pelo SUS, apoio psicológico e social, acesso gratuito à Profilaxia Pós-Exposição (PEP), aborto legal, sigilo e privacidade, assistência jurídica gratuita e medidas protetivas. Ela orienta que, embora o boletim de ocorrência não seja obrigatório, é importante denunciar pelos canais: 190 (Polícia Militar), 180 (Central de Atendimento à Mulher), delegacias, Defensoria Pública, Ministério Público ou FalaBR.
O relato de uma paciente do HC-UFMG ilustra a importância do acolhimento. Após sofrer violência sexual, ela procurou o hospital, engravidou e optou pela interrupção legal da gestação. Mesmo sem registrar ocorrência, recebeu todo o suporte. “Eu encontrei respeito, acolhimento e apoio de uma forma que eu não imaginava”, concluiu.