A violência política contra mulheres no Brasil aumentou significativamente, com o número de processos relacionados a esse tipo de crime subindo mais de 11 vezes em quatro anos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2022, foram registrados 15 processos, enquanto até setembro de 2026 já são 177.
Desde 2018, o Ministério Público Federal (MPF) recebeu 436 denúncias de violência política de gênero, sendo que 221 casos envolviam violência de natureza moral e 177, violência psicológica.
Para combater essa situação, o TSE e o MPF lançaram a campanha Política é Substantivo Feminino, com o objetivo de informar e conscientizar a sociedade sobre a importância de enfrentar a violência política contra mulheres.
A ministra do TSE, Estela Aranha, destacou que a violência política de gênero não apenas silencia as mulheres individualmente, mas também afeta a participação coletiva, desencorajando outras mulheres a se envolverem na política.
Durante o lançamento da campanha, representantes de entidades de direitos das mulheres e do movimento negro entregaram uma carta ao presidente do TSE, ministro Nunes Marques, expressando preocupação com o aumento da violência política de gênero e raça nas eleições deste ano.
A carta relatou casos de candidatas, especialmente negras e LBTs, que enfrentaram ameaças de morte, exposição de dados pessoais e ataques racistas e LGBTIfóbicos.
Uma pesquisa do Instituto Marielle Franco revelou que 87% das vítimas de violência política de gênero entre 2021 e 2025 eram mulheres negras. O Brasil ocupa a 135ª posição em um ranking de 184 países em termos de participação feminina no Parlamento Federal, com apenas 17,5% de mulheres no Congresso.
Além disso, mais de 700 municípios brasileiros não têm mulheres em cargos eletivos, e apenas 16% das prefeituras são lideradas por mulheres. Raquel Branquinho, da Procuradoria-Geral Eleitoral, ressaltou que, apesar da legislação estar alinhada com diretrizes internacionais, a violência contra mulheres na política continua sendo um grande desafio.
