O aumento das apostas online entre os jovens tem gerado um crescimento na busca por ajuda para lidar com a dependência. Luiz Carlos, membro da irmandade Jogadores Anônimos, observa que adolescentes a partir de 14 anos estão frequentemente procurando apoio.
Gustavo Pereira, de 24 anos, é um exemplo de como o vício por apostas pode afetar a vida de um jovem. Ele começou a apostar aos 18 anos e, em seis anos, perdeu cerca de meio milhão de reais. “O vício faz isso, te enche de ganância”, relata.
Atualmente, Gustavo está há dois meses sem apostar e tenta reconstruir sua vida vendendo café nas ruas de Lages (SC). Ele compartilha sua experiência em um perfil no Instagram, onde busca ajudar outros a superarem o vício.
Especialistas alertam que a facilidade de acesso a plataformas de apostas pelo celular aumenta a exposição dos jovens. Dados do Unicef indicam que uma em cada cinco pessoas começa a apostar online antes dos 11 anos. Uma pesquisa recente no Brasil revelou que 9,5% dos estudantes do ensino médio fizeram sua primeira aposta aos 11 anos.
A psicóloga Mariana Kehl destaca que os jovens são mais vulneráveis a esse tipo de apelo devido ao desenvolvimento cerebral. “O adolescente sente intensamente o prazer de ganhar uma aposta, mas ainda não possui o controle necessário para evitar o impulso de apostar novamente”, explica.
Com a crescente popularidade das apostas online, a irmandade Jogadores Anônimos tem recebido muitas pessoas que perderam tudo devido ao vício. Luiz Carlos, que está há 15 anos sem jogar, ressalta a importância do grupo para a recuperação.
O diretor do IBICT, Tiago Braga, alerta que as apostas não são um investimento, mas um gasto que pode comprometer a vida financeira e a saúde mental dos indivíduos. Ele destaca a necessidade de uma abordagem conjunta entre educação, saúde e políticas públicas para enfrentar o problema.
