A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) vai utilizar a cabeça taxidermizada de um mero (Epinephelus itajara), espécie criticamente ameaçada de extinção, em atividades de ensino, pesquisa, extensão e educação ambiental na Unidade Penedo. O material ficará exposto no Centro de Cultura e Extensão Universitária (CCEU), no Centro Histórico de Penedo.
O animal, com 2,1 metros de comprimento, foi encontrado morto e encalhado no litoral norte da Bahia em 2025. Devido ao porte, apenas a cabeça, que pesava mais de 40 quilos, pôde ser recolhida. A peça ficou inicialmente armazenada na base do Projeto Tamar, em Arembepe, na Bahia.
A preservação foi viabilizada por parceria entre a Ufal Penedo, o Projeto Meros do Brasil e o Projeto Tamar. Após o transporte para Alagoas, a cabeça permaneceu congelada até a taxidermia, realizada pelos profissionais alagoanos Neves e Valdício.
Além da visitação pública, a peça será usada em aulas dos cursos de Engenharia de Pesca e Ciências Biológicas e em atividades do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCiAmb).
Para o professor Cláudio “Buia” Sampaio, coordenador do Projeto Meros do Brasil em Alagoas, a peça permite ao público ter dimensão do tamanho que um mero pode alcançar. “A cabeça permitirá ao público ter uma dimensão das proporções que um mero pode alcançar, aproximando a sociedade de uma espécie emblemática e ameaçada de extinção, que ainda resiste no litoral alagoano, incluindo a foz do rio São Francisco”, afirmou.
O professor destacou que indivíduos desse tamanho são raros na natureza, reforçando o valor científico e educativo. “A coleta, o transporte, a conservação e a preparação só foram possíveis graças à articulação de diferentes parceiros. Além de seu potencial educativo, esse exemplar ajuda a mostrar à sociedade a importância de conservar a biodiversidade marinha”, disse.
A iniciativa também evidencia a integração entre universidade, projetos de conservação e profissionais especializados, aproximando a produção científica da população. “É um exemplo de como a Ufal Penedo, por meio do ensino, da pesquisa e da extensão, pode transformar o encalhe de um peixe morto em uma ferramenta de educação e conservação”, concluiu o professor.
