Mais de 35 mil cápsulas de café já foram coletadas pelo projeto de extensão Alagoart Sustentável, do Campus Arapiraca da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). A iniciativa, criada em 2022, transforma resíduos em acessórios e outros produtos, promovendo economia circular e educação ambiental.
Coordenado pelas professoras Iara Terra e Thaíssa Lúcio, o projeto nasceu como subprojeto “Alagoas Mais Limpa”, com o nome Bijuterias Sustentáveis. A proposta surgiu da preocupação com o descarte inadequado de resíduos e da necessidade de estimular práticas conscientes de consumo e reaproveitamento.
Segundo a professora Iara Terra, o objetivo é mostrar que resíduos podem ter valor agregado, contribuindo para a formação dos estudantes. “Esse número representa muito mais do que a quantidade de cápsulas recebidas. Ele demonstra o engajamento de uma rede de pessoas que acredita na proposta do projeto”, destaca.
Grande parte das cápsulas chega por meio de consumidores de São Paulo, que atuam como voluntários ambientais, além de integrantes dos projetos socioambientais Alagoas Mais Limpa e Alagoart Sustentável. A mobilização reforça a conscientização sobre o descarte correto e evidencia como ações individuais geram impactos coletivos.
“Embora o alumínio seja reciclável, apenas cerca de 25% das cápsulas produzidas retornam para reciclagem, conforme informações da própria fabricante. Iniciativas como o Alagoart Sustentável ampliam as possibilidades de reaproveitamento e reduzem impactos ambientais”, explica Iara.
O processo envolve coleta, higienização, separação de materiais e produção artesanal. As cápsulas de alumínio e filtros plásticos são transformados em acessórios e outros itens. Estudantes da Ufal participam de todas as etapas, vivenciando conceitos de economia circular, sustentabilidade e design.
“Além da educação ambiental, os participantes desenvolvem competências em gestão de projetos, empreendedorismo, comunicação e inovação. O projeto incentiva a produção científica, como o artigo da estudante Rikellen Larissa, publicado na Revista Eletrônica Extensão em Debate”, destaca Thaíssa Lúcio.
O projeto conquistou espaço próprio no Campus Arapiraca, melhorando as condições para oficinas, pesquisas e recepção de visitantes. Também registrou a marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) e foi institucionalizado no Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (Sigaa), consolidando-se como ação permanente de extensão.
Para o futuro, a equipe planeja expandir ações de educação ambiental, desenvolver novos produtos, aperfeiçoar processos e ampliar pesquisas, consolidando o projeto como referência em economia circular e extensão universitária.
