O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) detalhou, nesta terça-feira (4), os resultados da Operação Rede Interrompida, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para desarticular um grupo suspeito de planejar atos violentos em Brasília.
As investigações começaram a partir de um relatório do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP), que monitorou conversas em grupos abertos do Telegram. O grupo discutia invasões a prédios públicos, como os da Esplanada dos Ministérios e do Supremo Tribunal Federal, durante o período eleitoral de outubro, além de atentado a bomba em debates eleitorais.
Em entrevista coletiva, o diretor de Operações Integradas e de Inteligência da Senasp, Anchieta Nery, afirmou que o caso não envolvia apenas opiniões nas redes sociais, mas sim planejamento de atos severos de violência, o que exigiu atuação rápida e integrada.
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, destacou o papel do laboratório na produção de inteligência e a cooperação interfederativa para o combate aos crimes.
Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul, com apoio das polícias locais. Entre os materiais apreendidos estão manuais de fabricação de explosivos, mapas da região central de Brasília e a planta baixa do Palácio do Planalto, classificados como alvos primários.
O delegado-geral da PCDF, José Werick de Carvalho, explicou que o objetivo foi identificar precocemente processos de radicalização e intervir antes de episódios violentos. O coordenador de inteligência da PCDF, Maurílio Coelho, informou que não houve pedido de prisão nesta fase, e que os oito investigados, com idades entre 19 e 31 anos, não se conheciam pessoalmente, apenas pela internet.
As conversas também disseminavam conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos. A secretária Nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, ressaltou o combate ao ódio e à aversão às mulheres como um dos maiores desafios atuais, citando o Pacto Brasil contra o Feminicídio e a Estratégia Nacional Mulher Segura.