segunda-feira, 17 de agosto de 2026
Publicidade
Postado emVida e Saúde

Distância e falta de atendimento marcam histórias de perda em comunidade do Amazonas

Publicidade
Distância e falta de atendimento marcam histórias de perda em comunidade do Amazonas
Distância e falta de atendimento marcam histórias de perda em comunidade do Amazonas

Morador da zona rural de Carauari, no interior do Amazonas, Francisco Solivan Peres de Araújo perdeu a mãe quando tinha 2 anos. Ela faleceu durante o parto de sua irmã. “Deu uma hemorragia. Na época, não tinha possibilidade nenhuma de chegar na cidade”, contou à Agência Brasil, relembrando as condições de vida na região no final da década de 80.

A história de Solivan, atual presidente da Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari (Amaru), é comum na região. Relatos de perdas, sequelas e traumas provocados pela distância entre a zona rural e a urbana, ou pela falta de dinheiro para se deslocar até a cidade para atendimento em saúde, são frequentes.

Carauari é um dos maiores municípios do Brasil, com mais de 25,7 mil km². Ir da zona rural, onde estão as populações ribeirinhas, até a zona urbana, onde há estrutura fixa de saúde, pode levar horas ou dias de viagem, dependendo do tipo de embarcação e da situação do rio.

Até os anos 90, as mortes por falta de atendimento eram ainda mais comuns. A prefeitura instalou um sistema de lanchas de resgate para emergências, mas a distância ainda causa demoras. Adriana da Silva e Silva, picada por cobra em 2019, esperou mais de 24 horas pelo resgate. “Quando me desloquei da comunidade até a cidade, em razão das horas que passei, sofri muito devido ao veneno e não tinha soro. Minha perna inchou muito, ficou irreconhecível. Para não perder a perna, tiveram que fazer quatro cirurgias”, relatou.

Raimundo Viana da Cunha, ex-morador da comunidade Mandioca, perdeu o irmão em 1994 após esperar uma semana por um barco para levá-lo ao médico. “Depois de duas semanas, meu irmão foi atendido e não teve mais condição de fazer nada pela saúde dele – e ele veio a óbito”, contou.

A solução atual da prefeitura é o resgate por lanchas, que custa entre R$ 40 mil e R$ 45 mil mensais, e as Unidades Básicas de Saúde (UBS) fluviais, que percorrem as comunidades eventualmente. O secretário de saúde, Manoel Brito, reconhece que a prefeitura não consegue instalar unidades em todas as comunidades devido ao orçamento reduzido. “As parcerias com o terceiro setor têm sido importantíssimas”, disse.

📬 Receba as notícias de MT no seu e-mail

Cadastre-se gratuitamente e receba os destaques da semana


    Compartilhar: WhatsApp Facebook X LinkedIn
    📬
    Fique por dentro de Alagoas Receba as principais notícias no seu e-mail, gratuitamente.


      ← Anterior Brasileiros trocam o Brasil pelo Paraguai em busca de oportunidades: o que explica a nova onda migratória? Próxima → Acordo Mercosul-China é tratado em conversa entre Lula e Xi Jinping